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Preocupação com a desregulamentação do gás em botijão: alertam sobre venda clandestina e risco à segurança pública

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No programa “Bem-vindo ao trem” da Bravo TV, Juan di Natale abriu o debate sobre a recente desregulamentação do mercado de gás engarrafado. “A desregulamentação já assusta, não é? É uma palavra que nos assusta”, disse o anfitrião ao apresentar Darío Simonetti, presidente da CAFADIGAS, Câmara Federal Argentina de Fabricantes, Distribuidores e Industrializadores de Gás Liquefeito.

Simonetti descreveu um panorama crítico para o setor após a modificação do esquema regulatório. Segundo explicou, a medida gerou “a proliferação de distribuidores clandestinos”, situação que, além de afectar mais de 220 PME, resulta num grave problema de segurança. “Quem monta um pequeno caminhão sai para distribuir garrafas, o que gera uma terrível insegurança pública”, alertou.

O dirigente explicou que antes havia uma cadeia de comercialização controlada – produtor, fracionador, distribuidor – mas que hoje “qualquer um pode vender gás”, mesmo abaixo do custo do distribuidor autorizado. Isto incentiva a concorrência desleal e deixa as empresas familiares do setor à beira do encerramento. “Mais de 3.500 empregos estão em risco”, disse ele.

O problema afeta diretamente os usuários. Simonetti sublinhou que o benefício económico não chega às casas: “Os utilizadores não vão ser beneficiados, não vamos pagar mais barato pela garrafa”. Pelo contrário, alertou que a ausência de controlos abre portas a recolhas ilegais “em locais inapropriados, perto de jardins e escolas”, onde um produto explosivo é manuseado sem medidas de segurança.

A CAFADIGAS já apresentou “mais de 200 reclamações ao Ministério da Energia e a diversos municípios”, além de interpor uma ação judicial para declarar a inconstitucionalidade do decreto que viabiliza estas alterações. Contudo, asseguram que ainda não obtiveram respostas eficazes. “Não queremos esperar uma tragédia”, insistiu Simonetti, lembrando casos recentes de explosões em armazéns clandestinos que colocaram vizinhos em risco.

Quando questionado sobre quem beneficia deste novo cenário, foi contundente mas cauteloso: “São três empresas… devido à minha gestão, não posso nomeá-las”, afirmou, garantindo que a posição dominante está concentrada em muito poucos players.

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Por fim, sublinhou que a solução seria simples se houvesse uma decisão estatal: “É muito fácil colocar um inspetor em cada central de fracionamento e a questão é resolvida muito rapidamente”. Entretanto, o sector alerta que o mercado formal está a tornar-se cada vez mais inviável.

LB/DCQ



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