10 de outubro de 2012

Eduardo Campos pede calma sobre candidatura em 2014.

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, reconheceu, mesmo que implicitamente, que estuda uma candidatura a presidente em 2014. O socialista convocou uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (8) para comentar o processo eleitoral deste ano.

Questionado sobre a especulada postulação, ele declarou: “vocês vão ter que ter paciência para esta resposta”. Antes, o socialista negava de prontidão os boatos. Paralelamente, começa a construir um discurso de presidenciável.

Eduardo observou que é preciso finalizar o processo eleitoral deste ano antes de começar a estudar o de 2014. “Não vamos discutir isto agora. Estamos ainda no segundo momento da eleição de 2012 e focaremos nisto. E não é só o PSB, nenhum partido vai discutir 2014 agora”, comentou. Ao mesmo tempo, defendeu, na entrevista, o aprofundamento do debate sobre o novo federalismo no cenário nacional, que pode ser mote de campanha.

“É fundamental que possamos usar esse acúmulo feito ao longo das campanhas para colocar na pauta do debate nacional o novo federalismo, porque os municípios precisam mais e mais de condições para realizar o seu papel, que é central na estruturação das políticas publicas em setores importantes no entendimento da sociedade”.

De acordo com ele, a preocupação com o tema está pautada pela “mais dura” crise fiscal vivenciada pelos municípios. “Sabemos que a linha que separa a esperança da frustração é muito tênue. O voto é um ato de esperança e quem foi eleito vai ter que encarar o desafio de melhorar a saúde, educação, mobilidade, saneamento, habitabilidade e a segurança pública”, disse ao lembrar que, até dezembro, o governo federal deverá definir uma nova regra de partilha para os Fundos de Participação dos municípios e dos estados (FPM e FPE).

A determinação partiu do Supremo Tribunal Federal. O governador saiu fortalecido da eleição em Pernambuco, onde conseguiu eleger correligionários ou aliados em 170 cidades das 184, entre elas, o Recife. Eduardo rompeu com o PT na capital pernambucana e lançou seu ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Julio (PSB) candidato, que nunca tinha disputado uma eleição, e conseguiu elegê-lo no primeiro turno. E os bons números não foram só localmente, como ele próprio lembrou.

“A eleição do PSB nacional superou todas as expectativas. Esperávamos eleger 350, no máximo 400, prefeitos e elegemos 436 até agora, sendo dois prefeitos de capitais. Também estamos em três segundos turnos de capitais e em cidades importantes como Uberaba e Campinas”, destacou. Em entrevista ao portal UOL nesse domingo (8), a deputada federal Luiza Erundina (PSB) reconheceu que o nome de Eduardo é cogitado para 2014 ou 2018. “[Eduardo] é uma alternativa real no PSB para uma eventual candidatura do PSB à Presidência da república. Isso estará na próxima eleição nacional? Isso vai depender da conjuntura daquele momento”, afirmou.

O assunto é delicado para o governador porque o PSB faz parte da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT), que, na ordem natural da política, será candidata à reeleição. Além disso, Eduardo tem uma forte ligação com o ex-presidente Lula (PT). A postulação seria um enfrentamento com os petistas.

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