26 de setembro de 2012

Capacitações em Gestão de Água para Produção de Alimentos Propiciam Troca de Saberes entre Agricultoras.

Foram as chuvas irregulares, estiagens prolongadas, e um fenômeno climático chamado seca, os principais fatores que motivaram os agricultores e as agricultoras do semiárido a desenvolverem estratégias para a convivência com as particularidades desta região. 

Agora eles e elas se reúnem em atividades de formação para trocarem experiências.

Nas três primeiras semanas do mês de setembro, o Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS), realizou nos municípios de Teixeira, São José do Bonfim, Maturéia e Imaculada, capacitações em Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA).

Estes espaços de encontro entre agricultores e agricultoras foram muito mais que momentos de “capacitações”, foram principalmente, ocasiões que propiciaram a troca de saberes e a construção de conhecimento entre os participantes, que  durante as atividades ouviram experiências e compartilharam as suas, visitaram propriedades e participaram de atividades práticas.

A área de experiência do CEPFS que fica na comunidade Riacho das Moças, no município de Maturéia, sediou uma das capacitações, o local foi bastante propício para dar vida ao conteúdo trabalhado. Os participantes visitaram as diversas tecnologias sociais de convivência com o semiárido implantadas no local, entre elas estão o tanque em pedra, o biodigestor, e a experiência de canteiros econômicos. Também conheceram a cisterna de enxurrada que serviu de referência para o Programa uma Terra e Duas Águas. Hoje através deste programa a experiência se multiplica por todo o semiárido brasileiro. Para o animador Marcos Sales o local foi bastante favorável para a realização da atividade. “Foi bastante estratégico a realização deste GAPA aqui na área experimental por conta da organização hídrica que existe e das experiências de convivência aqui desenvolvidas.“ Declarou o animador.

Os agricultores comprovaram, de perto, que tendo água armazenada, é possível continuar gerando vida e produzindo alimento em plena estiagem. “Aqui é um colégio, porque a gente que tem um pouco de experiência sai com mais conhecimento ainda. Essa experiência do Tanque em Pedra desenvolvida aqui é muito interessante, quando chove a água captada na pedra enche várias cisternas, que garante água para a plantação durante o ano inteiro. Sem falar que foi feita com uma pequena quantidade de recurso. Aqui é como eu já falei é um colégio, inspirador de mais para nós, porque tem tanta gente por aí que sabe das coisas, mas esconde as informações.” Declarou o Agricultor Sebastião Nogueira, da Pedra Lavrada, Município de Maturéia.

As capacitações fazem parte das atividades de formação do Programa Uma Terra e Duas Águas e reúnem beneficiários e beneficiárias do referido programa, a fim de refletirem sobre as alternativas de aproveitamento sustentável dos recursos naturais, desenvolvidas ao longo do tempo por homens e mulheres do campo que convivem nesta região.

“O que a população do semiárido precisa é de infra-estrutura hídrica para enfrentar os períodos mais críticos, precisa de mais apoios governamentais que valorizem o saber popular apoiando as experiências desenvolvidas pelos agricultores e agricultoras que na luta pela sobrevivência já encontraram alternativas eficazes, capaz garantir vida digna no semiárido.” Declarou Maria Helena, Instrutora das capacitações em GAPA.

“Saio daqui com planos para o futuro. Nós mulheres que participamos deste evento já conversamos sobre a possibilidade de montarmos um grupo para trabalhar com beneficiamento de frutas para produção de doces. Inicialmente, podemos comercializar na comunidade e depois expandir para a feira da agricultura familiar em Patos. Com a cisterna teremos condições de produzir mais e plantar também aquelas frutíferas que ainda não temos. Saímos daqui com o compromisso de levar a discussão para outras famílias também”. Lucineide Vieira, Comunidade Tubarão - São José do Bonfim.

Cepfs | Edição Matureia1.com